Quem vai dirigir a empresa?

Por favor reflita sobre essa pergunta: Você está pronto para deixar a sua empresa na mão de outra pessoa?

… tic, tac, espaço para você pensar …

Estou pedindo para refletirmos sobre isso, pois é preciso pensar na preservação do seu negócio, mesmo que você não esteja mais à frente dele.

Você concorda com essa afirmação?

… tic, tac, mais espaço para você pensar …

Podemos seguir?

Então, tudo bem! Agora você já está chegando na casa dos quarenta anos (ou um pouco além) e começa a ter uma visão mais amadurecida do negócio. Está buscando profissionalizar a empresa e começa a se deparar com alguns componentes que não faziam parte de suas expectativas. Se tudo deu certo e a empresa cresceu, você terá de começar a pensar em dividir a direção da empresa com executivos que não são seus sócios, mas empregados da empresa. Como conciliar os seus interesses com os desses diretores?

Mas tem outra coisa mais importante ainda: como será o futuro da empresa depois da sua saída? Já é preciso começar a pensar em quem o sucederá. É isso mesmo: você, um dia, terá de deixar a empresa e outra pessoa terá de assumir o seu lugar.

Seus filhos se interessarão pelo seu negócio? E se não estiverem interessados? Quem será seu sucessor?

A grande maioria dos pequenos empresários nunca pensou nesse assunto. Como será isso?

A sucessão empresarial é entendida como o rito de transferência do poder e do controle do capital entre a atual geração dirigente e a que assumirá a direção, situação pela qual todas as empresas que conseguirem se perenizar irão um dia passar.

Você quer que sua empresa perdure? Que ela seja o sustento de sua família depois que você sair da ativa? Então prepare-se, você vai passar por isso! Pela difícil tarefa de escolher um sucessor.

Sucessor é o indivíduo que irá substituir o mandatário (você), podendo ser herdeiro, membro da família ou alguém sem nenhum grau de parentesco.

Pronto, agora as coisas realmente tomaram um rumo que a maioria reluta em aceitar:

– Após tanto anos de trabalho construindo uma empresa de sucesso vou entregá-la para um estranho? Alguém de fora da família? Nada disso, vou investir nos meus filhos para prepará-los para me sucederem.

Já tive uma enorme quantidade de alunos que dizem cursar administração porque o pai deseja que assumam o negócio, mas que seus sonhos eram outros. Essa pessoa vai cuidar dos negócios com o mesmo cuidado e carinho do seu antecessor? Tenho dúvidas sobre isso.

Mas, buscar na família o seu sucessor é sempre a primeira alternativa e, em geral a mais acertada. É no seio familiar que temos condição de encontrar pessoas que entendem o negócio e compreendem a importância da empresa para aquela família.

Compreender que a preservação da empresa sob o controle direto da família é muito importante, faz parte da preparação de um sucessor comprometido com a manutenção do negócio e interessado no sucesso da empresa e da sua gestão.

Quando não podemos contar com um sucessor no âmbito familiar torna-se necessário um processo de profissionalização da direção da empresa e isso exige do empreendedor um enorme esforço. Implica em abrir mão do controle total da empresa em favor de pessoas que são contratadas para assumir o poder. Aquele que construiu um negócio para durar além de sua existência precisa começar, prematuramente, a estruturar a organização para isso. Mas como será possível preservar os seus ideais? Como garantir que os novos gestores não mudarão tudo, logo após sentarem-se na cadeira do dono?

Bem, em geral as idéias são sustentadas pela cultura da empresa. Quanto mais sólida e arraigada for sua cultura, mais perene será a ideologia que lhe deu origem. Mas para que as idéias, pensamentos, sonhos e visões do empreendedor transformem-se em base cultural é necessário que sejam compartilhados e institucionalizados. Manter uma gestão baseada na autocracia é quase que determinar a morte da empresa juntamente com a saída do seu criador. Uma organização sem base cultural não subsiste sem a pessoa que a dirige ou, se subsistir, será com base em uma nova pessoa, que precisa ser tão forte e carismática como seu antecessor. Nesse caso não haverá sucessão e sim substituição.

Suceder implica em dar continuidade à gestão anterior. Não quer dizer que o sucessor não pode melhorar, modernizar, inovar a empresa ou seus produtos, mas significa que a essência da empresa deve ser preservada. A sucessão não é um mero processo de herança. O sucessor não é apenas o mais qualificado, o mais competente, o mais amigo ou o filho do dono do negócio. Quem sucede deve conhecer e compartilhar a cultura e as idéias que sustentam o negócio.

Outro ponto muito importante a ser observado: NÃO EXISTEM SUCESSORES (no plural). A sucessão é coisa de uma pessoa para outra pessoa. Você pode ter vários herdeiros, mas só existe um posto a ser ocupado.

Quando a sucessão não é um processo planejado, podem ocorrer desastrosas contendas entre os herdeiros, capazes de levar empresas bastante sólidas à falência. Isso pode ser evitado com um plano de sucessão bem delineado e transparente.

Como qualquer ação planejada, o processo sucessório deve ter objetivos bastante claros e metas definidas, de tal forma que possamos monitorar a evolução do processo. Dado à sua importância, a sucessão deve ser um projeto estratégico para a empresa e sua condução cabe ao sucedido, mas a execução deve envolver toda alta direção da organização. Esse não é um processo que se faz as escondidas. Pode até ser secreto, mas não deve ser alheio aos principais interessados.

Um bom planejamento consegue desenhar os possíveis cenários da sucessão, estabelecer um perfil adequado do sucessor e avaliar qual pessoa melhor se encaixa no perfil definido, possibilitando um preparo adequado do indicado como sucessor mais provável. Esse preparo implica em formação acadêmica necessária e geração de experiência profissional para que a pessoa possa, no momento adequado, assumir sua posição.

Mas, quando devemos começar a pensar nesse tema? Bem, pode começar a pensar agora mesmo, inclusive para saber qual o momento adequado para iniciar o planejamento e execução desse processo.

Na prática a gestão da maioria das organizações é um processo que pode ser exercido até a terceira idade. Não é incomum encontrarmos empresários com 70 anos à frente de algumas organizações, mas a prudência indica que não se deve deixar para pensar na sucessão quando resolver aposentar-se.

Se pretende ser sucedido por seus próprios familiares, pense em envolvê-los no negócio, assim que isso mostrar-se adequado e eles tiverem idade para trabalhar. Caso esse não seja seu caso e a sucessão tenderá para terceiros, comece a trabalhar essa idéia estrategicamente e prepare seus familiares para serem apenas sócios e não diretores da sua empresa.

Eu tenho sócios! Como será a sucessão?

Esse é mais um ponto de extrema importância.

As pequenas empresas brasileiras, geralmente são sociedades constituídas por pessoas com ligações que vão para além dos negócios. Podem ser pessoas do mesmo ramo familiar ou amigos que resolveram vencer juntos. Começam um negócio com bases parelhas e tentam manter nessa condição enquanto podem. Muitas vezes não fica claro quem é o principal gestor (ou CEO prá quem gosta das siglas). A condução é sempre pautada por consultas mútuas e condições negociadas para preservação dos interesses das partes.

Eu diria que essa é uma situação bem peculiar do Brasil. Em outras sociedades é comum que entre os sócios seja definido quem exercerá o papel de executivo chefe (CEO), para que uma única pessoa seja responsável por algumas decisões onde a vontade da organização seja prioritária. Se essa não for uma medida possível na sua empresa, tenham em mente que o processo sucessório exigirá muito mais cuidado e planejamento. Imaginem que, se para conciliar os interesses de uma única família a situação já é delicada, como será para duas ou mais?

Mas, mesmo assim, as recomendações não são muito diferentes. Pense na organização como uma terceira pessoa que serve ao sustento dos sócios, mas que tem características próprias e distintas das pessoas que a dirigem. A organização tem a vida dela, a cultura dela, a personalidade dela, o dinheiro dela, e nada disso deve ser confundido com as características dos sócios.

Se você e seus sócios ainda não têm um executivo chefe, pensem em criar essa função e idealizem um perfil adequado para ocupar o cargo, seria muito proveitoso para todos e o início de uma reflexão madura sobre o futuro da organização.

O fato é que, se vocês pensam na preservação do negócio, devem pensar no processo de sucessão.

Se esse artigo lhe trouxe mais uma preocupação, eu fico bastante contente, afinal, se isso lhe preocupa é porque ainda não existe um plano de sucessão delineado e você precisa começar a pensar nisso. Espero ter despertado em você uma preocupação saudável, que contribuirá para o sucesso de sua empresa.

E, no mais, boa aposentadoria, quando chegar o momento.

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2 pensamentos sobre “Quem vai dirigir a empresa?

  1. Boa tarde Jeferson,

    A matéria sucessão e algo que realmente causa calafrio em muitos, como deixa tudo que lutei para conseguir nas mãos de outrem? O grande administrador e aquele que prepara seu sucessor, porque se a empresa morre o grande será somente mais um, preparar alguém e não temer a oportunidade de ser grande, temer ser substituído e ter medo do sucesso, fazendo uma analise, as grandes, medias e pequenas empresas que não tiveram sucessores tiveram vendedores do sonho de seus idealizadores. Tendo por base os grandes lideres, todos tiveram seus sucessores, Moisés deixou Josué que não deixou ninguém, sem líder o povo se desviou dos propósitos de Deus e viveu varios anos sobre o Juizo, Jesus treinou não somente um como vários para continuar a obra. E para finalizar o comentario a este ótimo artigo digo que o empresário de visão não teme um sucessor, escolhe alguém melhor do que ele para que o sonho nunca morra… Ainda bem que trabalho numa empresa visionaria e o sonho não para não para não para

  2. Jeferson, excelente artigo. Esse artigo vem confirmar que o princípio da continuidade de nossa empresa está em boas mãos, pois sabemos que além dos interesses dos proprietários estarem em jogo não podemos deixar de lembrar que nossa organização está ligada a mais de 200 famílias e esse tipo de postura de nossos dirigentes confortam nossos corações.

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