O erro de marketing da Microsoft

Quem somos nós para criticar as estratégias de marketing da Microsoft, mas após lermos o artigo O que o brasileiros não terão no Windows 7, eu e o colega Marsal Melo iniciamos uma discussão sobre o que levaria uma organização desse porte a adotar políticas de preços tão distintas entre o Brasil e o resto do mundo.

Presumimos que essa estratégia é reflexo do elevado índice de pirataria sobre os produtos da Microsoft (e de tantas outras produtoras) em nosso país. Apesar de uma pesquisa do IDC registrar redução de 6% da pirataria entre os anos de 2005 a 2008, o índice apurado na mesma pesquisa é de 58% de softwares piratas nas terras brasilis.

Contudo o Marsal apontou uma estratégia que poderia ser muito mais eficaz no combate à essa ação criminosa, disfarçada de mau-hábito: ele acredita que a venda por preços reduzidos incentivaria as pessoas à aquisição de uma cópia legal, principalmente no caso do Windows 7, que foi o produto da Microsoft que, nos últimos anos, apresentou o índice de rejeição quase zero.

Nessa discussão até apontamos que poderia ter sido feito um teste na pré-venda da versão Home Premium. Poderiam ter ofertado por um valor diferenciado, desde que as pessoas respondessem um questionário de qualificação que poderia servir como uma pesquisa de perfil, para identificação de quem estaria adquirindo a versão promocional e uma pergunta sobre a influência do preço na decisão de compra.

A crença do Marsal (da qual compartilho) infere que haveria uma ampla adesão de pessoas que desejam ter um produto com garantia de suporte técnico e livre de riscos e procedimentos indesejáveis. Preços em torno de cem reais seriam bem convidativos, considerando que no mercado europeu a mesma versão Home Premium custa 49 euros (108 reais), nos Estados Unidos 49 dólares (85 reais) e na China o equivalente a 102 reais. Uma política de preços como essa indicaria um novo cenário para o usuário domestico brasileiro, que estaria sendo tratado como os demais.

No mundo corporativo, as empresas se veriam incentivas a regularizar situações de uso inadequado de licenças, pois existem um número considerável de pequenas empresas que não conseguem implementar soluções de software livre, em função da falta de pessoas com domínio de ambientes Unix.

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3 pensamentos sobre “O erro de marketing da Microsoft

  1. Apenas para contribuir com o seu belo artigo:

    Sou usuário de produtos Apple e não tenho problemas em relação aos valores de sistema operacional conforme citado em seu artigo.

    Para você ter uma idéia já atualizei o meu Mac OS X por duas vezes, eu era usuário da versão Tiger e em 2007 atualizei para a versão Leopard, pagando apenas R$ 19,00 por ser usuário recém chegado ao mundo Mac. No mês passado atualizei para a versão Snow Leopard pagando apenas R$ 79,00.

    A estratégia anunciada pela Apple ao lançar a versnao Snow Leopard = preço baixo e simplicidade ao instalar. Comprovada a estratégia. Aprovada!!!

    Como podemos perceber à despeito do comentário do Kono a Apple, independente da política tributária do Brasil, conseguiu algo inédito. Então +1 ponto para a Apple.

    Cada vez mais um usuário apaixonado. Usei Windows desde os primórdios, sou usuário de sistemas de informação desde 1981 e somente agora em 2007 pude começar a desfrutar de algo com muita estabilidade.

  2. O problema que vejo não é a estratégia da Microsoft. É o imposto altíssimo que é pago no Software quando entra no Brasil. Cerca de 60% a 70% do valor que pagamos aqui é o impostos sobre ele. Sobre a pesquisa eu acho satisfatória, mas isso funcionaria se a Microsoft não fosse uma mega empresa.

    Creio que o sucesso dos produtos falam por si só. Evoluíram bastante e o Windows 7 é apontado com o melhor produto de todos os tempos.

    O que tem que mudar é a cultura do brasileiro. Que paga 600, 800 .. 1000 reais em um monitor ou em um HD, mas não paga 600 em um software.

    Obs.: A Microsoft BR possui uma série de beneficios (anti virus, suporte, etc) para quem compra software, nao sei informar se vão ter isso com o Windows 7.

    Obs.2: O título ficou distorcido. Creio que o melhor seria: “Uma outra visão sobre o marketing Microsoft” ou “Sugestão para o marketing da Microsoft”. Atribuir ERRO ao marketing é dizer que não tiveram sucesso.

    Abraço!

    • Kono, obrigado por seu comentário!

      Você tem razão ao apontar a questão tributária como mais um empecilho na construção de preços. Contudo, esse é um problema que só afeta aos que praticam preços baseados em custos de produção e optam pelo repasse de todo custo, direto e indireto, ao cliente. Como o custo tributário é incidente sobre o preço final, é óbvio que preços menores implica em valores de tributos menores.

      Sobre o fato da Microsoft ser uma mega empresa, em nada interfere que suas subsidiárias locais adotem posturas de marketing que possam fazê-la diferenciar-se no mercado. A pesquisa é totalmente viável e, diria, que até seria salutar para a própria empresa, pois geraria evidências mais palpáveis da realidade brasileira em um momento muito favorável à Microsoft.

      Você está correto, também, sobre a questão cultural que cerca a venda de software básico no Brasil. As pessoas não valorizam esses produtos, pois no passado, a estratégia de entrada de algumas empresas era a de permitir (e até incentivar) a reprodução de cópias de seus produtos sem qualquer controle, o que facilitaria sua adoção e a penetração de mercado, promovendo uma padronização informal do mercado. Agora reverter essa cultura não é uma tarefa fácil.

      Por fim, preciso discordar de sua opinião sobre a distorção do título. Uma das finalidades dos títulos de qualquer obra é chamar a atenção para seu conteúdo e a prova que o título está bom, é que você leu o artigo e acreditou que o conteúdo merecia um comentário seu. Talvez, uma de suas sugestões, não surtira o mesmo efeito.

      Agradeço muito sua participação e espero que leia outros artigos do blog e também se interesse em comentá-los.

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