A cabana

Você já perdeu alguém amado? Aqueles que já passaram por isso sabem que é um tipo de dor totalmente indescritível. Um turbilhão de sentimentos que vão de um profundo vazio interior até uma enorme revolta contra não-se-sabe-o-que.

Como já me deparei com inúmeros eventos de morte, umas vezes de pessoas muito próximas outras vezes de conhecidos mais distantes, sempre lutei com esses sentimentos. Na pior das hipóteses era um enorme desconforto, uma tristeza sem sentido, pois não havia nenhuma ligação com a pessoa morta. Quem não sentiu algo com a morte de Tancredo Neves ou Airton Sena?

Como isso sempre me incomodou, pois cresci achando que mortes sempre geram sentimentos ruins, resolvi perguntar ao meu Pastor por que ficamos assim, inclusive quando não conhecemos as pessoas. Ele prontamente me respondeu: “Não fomos feitos para morrer! Deus nos criou para vivermos eternamente com Ele. Mas fomos condenados à morte porque fomos desobedientes.”

(Gênesis 2:16-17) – “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”

Com essa explicação lógica sobre a situação e os sentimentos que envolvem a morte eu me senti mais esclarecido, mas nada que pudesse mudar a sensação sobre o assunto.

Eu já havia percebido que existem aquelas mortes que ponderamos como “naturais”. Quando as pessoas já são idosas ou sofrem de uma doença incurável. Existem também aquelas fruto de acidentes, que nos pegam desprevenidos, mas, devido às condições, são absorvidas como uma fatalidade, uma condição do “destino”.

Mas existe uma outra categoria de morte, muito dura; aquela provocada pela ação de alguém que tira, ou pior, escolhe tirar a vida de outro ser humano. Essa nos causa uma ferida profunda e brutal!

É como se um pedaço nosso fosse arrancado. É totalmente incompreensível, imperdoável. Somos tomados por uma revolta e acreditamos que só a morte do assassino nos faria conformados. Esse tipo de morte gera uma revolta tão grande que ela se estende até ao próprio Deus. Mesmo pessoas tementes a Deus, cristãos conhecedores da Palavra Sagrada, podem ser tomados pelo sentimento de injustiça com que Deus tratou a pessoa amada, que foi tirada de nós de uma forma tão dura. Também há a necessidade de que o culpado seja punido e achamos que Deus está sendo omisso no cumprimento de Sua justiça.

Nesses casos, “perdão” é uma palavra amarga e um conceito inadmissível. Como perdoar alguém que não tem coração? Um monstro! Nessa hora não daremos ouvidos a Jesus Cristo:

(Mateus 18:21-22) – “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete?  Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.”

O nosso coração se encherá de ódio e seremos levados a desejar a morte de outra pessoa. Olho por olho, dente por dente.

Um caso concreto foi a morte do meu irmão. Abalroado por trás, por um automóvel, sua moto foi projeta contra uma árvore e, em função dos ferimentos, morreu aos 42 anos de idade. Durante anos (talvez até hoje) meu pai alimentou em seu coração o desejo de que a pessoa que provocou o acidente fosse, ao menos, presa, para pagar pela morte do filho que ele perdeu tão prematuramente.

A falta de punição da culpada fez com que o coração de meu pai permanecesse dolorido e cheio de raiva, contra a pessoa e contra Deus.  Ele não conseguia entender a vontade de Deus naquela situação. Hoje eu vejo a situação com outros olhos: Meu irmão estava viúvo fazia dois anos e a falta da esposa o havia deixado sem rumo, não trabalhava direito, não sabia lidar com os filhos, estava sem uma parte sua. A perda da esposa o aproximara de Deus e ele havia aceitado a Jesus, então Deus deve ter optado por levá-lo para junto Dele, para que algum benefício viesse disso.

(Romanos 8:28) – “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.”

Meu pai não sabe que esse evento tirou dele um filho, mas mudou a vida de outro. Por conta da morte de meu irmão, meu coração fechado para as coisas de Deus foi quebrado e hoje eu sou do Senhor, ministrando a sua Palavra e, junto com minha esposa e filhos, servimos à Sua obra. Minha sobrinha, filha desse irmão, também está rendida a Jesus, e talvez não fosse assim, se a situação fosse outra.

De qualquer forma, na maioria dos casos, principalmente nas situações de assassinatos de crianças ou jovens inocentes, somos tomados pela revolta. As vidas se tornam escuras e um peso enorme é posto sobre nossos ombros. E Deus é envolvido nisso como um vilão, como alguém que lhe traiu, que o está punindo por algo que você não compreende, pois Ele não lhe dá explicação nenhuma sobre Seus motivos. Aliás, isso seria o mínimo que Deus devia fazer: explicar por que está fazendo isso com você.

Será que isso te aliviaria? Escutar de Deus uma explicação sobre o motivo de tamanha injustiça?

Esse é o contexto do livro “A cabana”, de William P. Young, para o qual eu faço uma recomendação de leitura. De imediato ressalto que o livro nada tem de religioso. Ele trata de como é o relacionamento de Deus conosco. Serve para todos os que crêem Nele e muito mais aos que não crêem.

Recomendar livros é algo difícil, pois estaremos tentando impor algo a terceiros, contudo, dessa vez, me arriscarei a recomendar um livro aos leitores desse blog, porque nesse existe uma oportunidade singular de entendermos que a vida toda está baseada em relacionamentos. Nossos relacionamentos é que dão sentido à nossa vida. O texto de Young quer nos apresentar as facetas de nossos relacionamentos com todas as pessoas que nos cercam: família, amigos, desconhecidos, inimigos, Deus e com nós mesmos.

É um livro que prenderá sua atenção. Será difícil iniciar a leitura e não querer terminá-la. Ele nos prende com um suspense quase elucidável. Mas, se vocês o lerem até a última página (a última mesmo), terão muitas boas surpresas e, como eu, o recomendarão para todos os que puderem alcançar.

Arrisquem-se na minha recomendação e boa leitura!  Se valer a pena, volte aqui e deixe seu comentário. Se não valeu, volte também e registre sua crítica.

Deus os abençoe!

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Um pensamento sobre “A cabana

  1. Caro Jeferson,

    Louvo a Deus por sua vida, e tambem por este ato de indicar este livro….ele realmente é fantastico, que bom seria se houvessem outros nesta mesma temática, e concordo que para os que não creem ele mais precioso ainda do que para os credulos em Deus….Continue assim …são atos assim que faz com que o nome de Jesus e o amor de Deus alcance a muitos!!

    Que a PAZ de Cristo Jesus seja uma constante na sua vida e dos seus familiares.

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