Do plano à efetividade estratégica

Estamos no período do ano quando muitas organizações se voltam para o planejamento estratégico do próximo período. Na nossa empresa já estamos a “mil por hora”, buscando fechar os relatórios anuais, e levantando documentos e opiniões sobre as tendências de mercado para os próximos anos.

Dia desses um dos membros de nosso comitê enviou-me um artigo bem interessante, que retrata esse momento. O título é “A hora do planejamento estratégico” (você pode ler clicando aqui) e destaca um grande problema que enfrentamos anualmente: cumprirmos a tarefa de realizar o planejamento estratégico de nossa empresa.

O articulista ressalta que “O exercício de planejamento estratégico deve ser algo prazeroso. Uma atividade estimulante de pensar o nosso futuro e o da empresa.”, por isso, tratá-lo como uma tarefa que atrapalha as atividades de final de ano, mas que precisa ser cumprida, só contribui para que as coisas não andem bem e que o resultado de uma jornada que deveria impulsionar a empresa adiante seja visto como um gasto desnecessário e ineficaz.

O resultado disso é que o plano estratégico acaba como um monte de papel encadernado e jogado no fundo de várias gavetas, esquecido até o próximo final de ano ou para sempre (… se a direção tiver o bom senso de deixar essa perda de tempo de lado).

Esse é o grande problema enfrentado pelos estrategistas da maioria das empresas: como transformar o calhamaço de papel gerado no planejamento estratégico em ação. Pensando nisso, lembrei-me de uma citação que está nos Evangelhos de Mateus (12:34) e de Lucas (6:45): “a boca fala do que está cheio o coração.

Se as estratégias não estiverem gravadas em nossos corações e fizerem parte de nosso cotidiano, nada será efetivo. Os melhores planos serão frustrados. Mas, como podemos saber se temos a estratégia no coração? Em minha opinião devemos observar as evidências de efetivação daquilo que foi planejado:

1)      Os executivos da sua organização estão cuidando dos objetivos estratégicos?

Quando o planejamento foi feito com o objetivo claro de desenvolver a organização e teve o comprometimento do grupo que a dirige, cada um desses executivos assume um compromisso de cuidar dos objetivos estratégicos e orientar a sua equipe para o cumprimento das ações definidas no planejamento.

Agindo dessa maneira os executivos dão exemplo e demonstram a seriedade das decisões tomadas nas atividades de planejamento, o que gera uma ideia firme sobre a importância de cumprir o que foi estabelecido no plano.

2)      Sua organização estampou o mapa estratégico em pontos chaves, para que todos o vissem?

O mapa estratégico é o resumo gráfico de todo planejamento e deve ser divulgado em pontos estratégicos da empresa para que sirva de lembrança sobre os caminhos a seguir. Essa ferramenta combinado com a comunicação da visão, missão e valores da organização servem de estimulo visual aos colaboradores que não participaram da jornada de planejamento, mas sabem o que significa cada uma dessas mensagens, pois foram inteirados delas pelos seus líderes.

3)      Os gestores estão acompanhando e avaliando os indicadores estratégicos, cotidianamente?

A bússola do planejamento estratégico são os indicadores estratégicos. A avaliação cotidiana dos resultados dos indicadores permite uma clara visão sobre os rumos da estratégia. Esses números tornam tangíveis alguns objetivos não financeiros (e os financeiros também) que temos dificuldade em medir de forma objetiva. Esse conjunto de indicadores é o scorecard, que representa o painel de instrumentos (cockpit) do nosso negócio.

Quando estamos viajando o painel de instrumentos de nosso carro serve para nos indicar como andam as coisas, e que medidas devemos tomar, para que a viagem seja tranquila e, também, para que possamos cumprir as metas (alvos) determinadas no plano de viagem. Na empresa é a mesma coisa: olhando para o painel podemos verificar onde é mais necessária a nossa intervenção e como cada ação estratégica está impactando nos objetivos da organização.

4)      Os colaboradores conhecem as estratégias e as suas atividades estão alinhadas com elas, cumprindo os planos de ações elaborados pelos gerentes?

Com base no plano estratégico cada gestor do nível tático (geralmente um gerente) deve comunicar aos seus colaboradores os rumos e objetivos que a organização estabeleceu para que todos saibam quais são suas estratégias e possam compreender o mapa que será divulgado, assim como sua visão, missão, valores e posicionamento. Essa comunicação precisa comprometer as pessoas com os objetivos e ensinar-lhes qual o papel delas nesse movimento estratégico da empresa. Quanto mais compreenderem como contribuem para a efetivação da estratégia mais elas se sentirão parte de algo importante.

Outra tarefa desses gestores é elaborar (de preferência com a participação de seus liderados) um conjunto de ações estratégicas, que devem colaborar para que os objetivos constantes do mapa estratégico sejam atingidos. Essa é a forma de colocar a estratégia em prática, transformando-a em ação efetiva. As ações são a forma de cada colaborador perceber que participa da execução estratégica.

5)      Periodicamente, em intervalos curtos, a direção da organização se reúne e avalia os resultados das ações estratégicas e as tendências apontadas pelos indicadores?

As ações estratégicas precisam conduzir a organização na direção de seus objetivos e, principalmente, da sua visão. A verdadeira condução estratégica dos negócios só é possível se o scorebord servir ao propósito de municiar a alta direção de informações relevantes para tomada de decisão sobre os rumos da organização. Para tomar decisões é preciso que a cúpula da empresa aprecie e avalie os resultados obtidos pelo desenvolvimento das ações estratégicas. Então, monitorar esses resultados é a tarefa número um da alta direção.

Essa avaliação precisa ser feita como parte do processo de gestão da empresa e não como mais uma tarefa de um departamento qualquer. Também é necessário que seja feita a períodos regulares de tempo e, pelo menos duas vezes ao ano, deve gerar um relatório que é apresentado a todos da organização, como uma prestação de contas sobre os resultados da estratégia empregada.

Muito bem! Se esses cinco pontos estiverem presentes no seu dia-a-dia, é sinal que sua empresa conseguiu transformar a estratégia em ação e integrá-la aos processos cotidianos. Caso apenas parte deles estejam incluídos na sua rotina, reforce-os e implemente o que falta, mas sua organização também está de parabéns, pois já se encontra no caminho certo, o de importa-se com o que é fundamental.

Se você ainda termina seu planejamento estratégico, imprime um caderno com as ações e coloca em uma gaveta, quer dizer que você ainda carece de alguma orientação sobre a maneira de superar a inercia inicial e agir para que sua empresa se desenvolva.

Mas, se você ainda acha que planejamento estratégico, objetivos, indicadores e ações estratégicas são coisas de quem tem tempo a perder e gosta de jogar dinheiro fora. Que isso é coisa daquele grupo de pessoas que não tem muita coisa prá fazer ou não se ocupam de trabalhar, que é o que traz dinheiro para o caixa… sinto informar que você está com um problema muito sério nas mãos.

Cuidado com o futuro, ele pode ser muito negro. A boa notícia é que dá tempo de mudar… e começar a desenvolver sua empresa.

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3 pensamentos sobre “Do plano à efetividade estratégica

  1. Caro Jeferson,

    Tive oportunidade de participar em algumas ocasiões de jornadas sobre planejamento e discussões sobre estratégias. Foram raras as vezes, em que vivenciei a execução das ações conforme objetivos traçados.

    Pela primeira vez, tenho a grata satisfação de observar a prática alinhada à teoria. Na Tron, além de ver o discurso, posso degustar e observar os esforços direcionados para tornar realidade a Visão de Futuro da organização.

    É gratificante poder participar deste momento, e melhor ainda será colher os resultados advindos desta prática.

    Estarei preparado para contribuir com minhas experiências e pontos de vista, e estou certo de que sairei de nosso encontro, com conteúdo enriquecedor.

    Um forte abraço e até lá!

  2. Como sempre, tem toda razão. Acho que estamos passando por uma fase de introdução de uma gestão por processos sem precedentes na história dos negócios. Os usos corretos das ferramentas de definição e operação estratégica, busca do valor aos clientes e a tecnologia nos levam pelo bom caminho.

  3. Jeferson, boa tarde.

    O pouco que sei sobre planejamento estratégico foi aprendido dentro da nossa Tron e vejo que estamos avançando com a maneira de dirigirmos a nossa Unidade. Essa “visão de futuro” está sendo implantada em toda empresa e tenho certeza que vamos colher mais frutos nesse processo de continuidade de reaprender e aprender que o Grupo Tron está permitindo a TODOS Tronianos. Outro fato que podemos identificar esse evolução é em nossas reunião de líderes pois, hoje sinto-me mais avontade para expressar minhas dificultades e opniões, conseguentemente demonstrando o amadurecimento de nossos DEBATES.

    Um grande abraço e até dia 06/12.

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