Agora, todo mundo está com pressa

Estou preocupado com essa proposta de plebiscito para tratar da reforma política. Acredito que a reforma seja muito delicada e importante para ser realizada através de um plebiscito feito a “toque de caixa”.

A reforma política envolve temas como coligações partidárias em eleições proporcionais, a realização de todas as eleições em uma única data, a alteração da data de posse de presidentes, prefeitos e governadores, a participação popular na proposição de projetos de lei e emendas constitucionais, o voto distrital, as candidaturas autônomas, a limitação para criação de partidos, a composição legislativa federal e estaduais, e mais outros temas que não me lembro agora.

A discussão sobre a reforma não é algo tão simples como estão querendo fazer parecer. Submeter tal tema a consulta pública pode gerar na população a falsa impressão que o legislativo estaria obrigado a atendê-la em 100% de sua vontade. Até isso é incerto, como vários juristas já sinalizaram.

Aliás, esse é um sinal de alerta importante: muitos juristas demonstraram preocupação quanto à eficácia dessa medida e da desmedida pressa que tomou conta do Executivo para aponta-la como a opção de resposta à demanda do povo expressa nas ruas. O que os brasileiros querem é que a reforma seja pensada e executada de forma prioritária e não açodadamente, sem discussão e entendimento claro sobre o assunto.

Quem tiver tranquilidade absoluta para discutir esse assunto e defender as soluções para cada um dos pontos da reforma, levante a mão. Não estou perguntando sobre ter uma opinião sobre o assunto de forma genérica, pergunto sobre a possibilidade de debater e esclarecer cada ponto que gere discussão, com a possibilidade de argumentar e convencer as partes discordantes.

Sugiro que façam um experiência, escolha 3 temas e debata com um grupo de 4 pessoas, buscando chegar a um consenso sobre cada um deles. Lembrando que consenso implica em todos concordarem com a solução proposta.

Sei que a reforma política é urgente e necessária, mas será que esse é o momento certo e promover um plebiscito é a forma correta de debater o tema com a população? Muitos dirão que temos de aproveitar a oportunidade e fazer o que é possível agora, para não perdermos a chance que está sendo dada ao povo para decidir o que deseja reformar.

Será? Ainda tenho muitas dúvidas!

De qualquer forma é hora de debatermos o tema e aprendermos com as diferenças.

Qual a sua opinião? Debata aqui!

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Os movimentos precisam gerar mudanças políticas

Política se faz com ideias, propostas e ações. Não propor e não fazer nada é concordar com a situação atual. Propor soluções fora do espaço democrático é querer enveredar por caminhos longos e obscuros.

Acredito que as massas podem propor e alavancar mudanças, mas não creio que isso ocorrerá fora da estrutura política, por isso é que NÃO ACREDITO em movimentos sem o suporte de organizações representativas.

O anarquismo nunca foi efetivo na luta pela transformação social. Somente os movimentos dirigidos de forma organizada e sistêmica conseguiram avançar e provocar mudanças reais. O Brasil é um exemplo disso. Estamos vivendo um grande ciclo de mudanças políticas nos últimos 20 anos. Esse ciclo demonstra claros sinais de exaustão, por isso está exigindo o início de um novo ciclo.

O erro é desprezar o conhecimento acumulado em anos de experiência social e achar que novos instrumentos tecnológicos são suficientes para mudar o rumo das coisas sem o suporte organizacional necessário.

Acredito e sou favorável às mudanças, mas não creio que o anarquismo seja o modelo que promoverá essas mudanças. Ainda acredito que a democracia seja a base política mais recomendável para que os movimentos sociais ganhem força e possam converter o potencial de mudança em mudança real.

Também é necessário ter cuidado com as manobras políticas da estrutura que deseja se manter no poder. Plebiscito e constituinte propostos de forma atabalhoada e sem planejamento parecem mais uma resposta desesperada.

Ao fazer essas propostas o governo quer levar o movimento para o campo de batalha que ele desconhece e onde os políticos se sentem mais confortáveis para atuar e onde a grande massa de jovens cidadãos nunca trafegaram. Será que a solução está nesse tipo de ação?

Não seria hora de pensarmos melhor e medirmos o que está por traz de mudanças tão repentinas de comportamento?

O movimento espontâneo das massas brasileiras deixou todos políticos atordoados. Ninguém conseguiu acreditar e entender essa nova forma de mobilização e condução do movimento. Por isso eles precisam de tempo para se reagrupar e traçar uma nova estratégia para não perderem suas posições de liderança. É o que estão fazendo nesse exato momento: todos querendo ganhar tempo e não perderem posições.

Sugiro atenção e cuidado para não perdermos a chance real de mudança que está sendo colocada para toda sociedade. Aproveitemos a oportunidade para renovar o campo democrático, credenciando novas lideranças para representar o povo nas instancias políticas.